Fevereiro passou tão rápido que acabei me esquecendo que no dia 13 completei 5 anos de Canadá.
Era 2018 e eu chegava grávida de 5 meses da Eliza Monaliza no aeroporto de Calgary cheia de expectativas de uma imersão profunda em uma nova cultura. Era a realização de um grande sonho. O que eu não imaginava era que esse mergulho profundo aconteceria em outro mar. O mar incômodo do autoconhecimento. Incômodo, porque não foi fácil lidar com todos os sentimentos que eu havia guardado na geladeira dos meus 34 anos de existência. E eles caíram sobre minha cabeça de uma só vez no ano que me casei, imigrei e me tornei mãe. Foi um mergulho tão profundo que achei que nunca iria conseguir nadar até a tona para respirar. Mas, novamente, para minha supresa, descobri que não precisava chegar à tona. Era só abrir os olhos embaixo d’água e apreciar a beleza daquele mar. Foi o que fiz. Virei peixe e foi bom. Me sinto feliz de enxergar essa beleza a tempo. E os meus “e ses…”: “E se eu tivesse parido a Eliza no Brasil?”. “E se eu criasse a Eliza perto do meu mundo?”. Foram se acalmando no meu coração e sendo substituídos por frases como:
“Fui eu que escolhi estar aqui e honro essa escolha.”
“Eliza vai construir suas próprias referencias de mundo e eu posso apresentar as minhas referencias e ela”.
“A primeira língua da Eliza é o Inglês, mas ela pode ser bilingue e isso é maravilhoso”.
“Eu não perco minhas amizades do Brasil, eu somo com as amizades que faço aqui”.
“A gente pode criar novas formas de estar presente na vida de quem a gente ama”.
“E as pessoas que a gente ama criam novas formas de estar presente em nossas vidas aqui”.
Em 2021, comecei a olhar para a minha trajetória com carinho e perceber a sua importância. Dessa percepção, nasceu o projeto ABOUT LOVE que faz todo o sentido na minha vida nesse momento. E neste quinto ano de Canadá, olho pra trás e, depois, olho pra mim, e percebo que não é o lugar que define a minha potencia. Posso ser potente em qualquer lugar do mundo. Eu criaria a minha filha em qualquer lugar do mundo. Eu me reinventaria mil vezes em qualquer lugar do mundo. Descobrir ser potente é libertador e ninguém tira isso da gente.
Sou grata pelos meus 5 anos como imigrante no Canadá.





